Olá, seja bem-vindo (a).

Você pode estar um pouco confuso ao entrar aqui. Mas mesmo assim, bem-vindo ao meu blog, novamente. Eu resolvi fazer essa publicação em especial, para me apresentar melhor, e descrever basicamente o que eu sou.

Como podem checar, aqui é o meu canto de dissertação. É o lugar que escolho para criticar, escrever, elogiar, criar, enfim, deixar minha opinião, minha ‘marca’, por assim dizer.

E talvez, nada melhor para começar do que uma rápida dissertação sobre o que eu sou.

Bom, vamos começar de um ponto principal, pois uma definição completa do que sou leva um tempo para se dissertar graças a peculiaridade: eu sou o que pode ser chamado de neo-marxista. Isso quer dizer que eu me afasto do marxismo clássico em alguns pontos diferentes, sendo mais próximo da tradição econômica que foi iniciada no século passado, por nomes (que me influenciam muito) como Paul Sweezy, Joan Robinson nas últimas fases, Michal Kalecki (os dois anteriores também podem ser considerados dos ramos dos pós-keynesianos), Paul Baran, David Gordon, Oskar Lange – uma cadeia de inovações da economia marxista, com estudos mais aprofundados em todas as áreas, uma análise própria sobre monopólios, dinamicidade e variáveis, entre outros pontos que se diferem do ramo Marxista Clássico. Ao mesmo nutro simpatia com Duncan Foley, Andrew Kliman, Alan Freeman e outros economistas atuais mais perto do Marxismo Clássico.

Mas eu não sou apenas isso (!). A minha leitura ‘neomarxista’ não é uma simples leitura neomarxista: é uma leitura sob uma ótica específica, que por si só foi muito influente nesse ramo. Estou falando do ramo do sraffianismo, ou neoricardianismo. E obviamente, meu maior inspirador aqui é o grande gênio da economia, Piero Sraffa. Nesses termos, pode-se dizer que eu sou um neomarxista sraffiano / neoricardiano, pois eu trabalho com a visão marxista numa ótica específica disso, tal como vários outros marxistas (que também me influenciam muito) – Nobuo Okishio, Maurice Dobb, John Roemer (também pertencente aos analíticos como explicarei abaixo), Ian Steedman, David Laibman, assim como os próprios sraffianos ou neoricardianos, como (além do próprio Piero Sraffa), Luigi Pasinetti, Pierangelo Garegnani, John Eatwell, Franklin Serrano, Fabio Petri entre outros.

Em segunda instância econômica, eu sou influenciado pela Escola Pós-Keynesiana, nomes como Michal Kalecki (mais uma vez hehe), Joan Robinson (sim, sou influenciado tanto por sua fase pós-keynesiana quanto a marxista hehe), Edward Nell e Steve Keen me influenciam bastante. Em última instância, tenho pequenas influências dos Institucionalistas, principalmente o próprio Thorstein Veblen, e da Escola Evolucionária (que abarca vários autores acima também), como um todo, além de ter um grande devido respeito por alas como a vertente hayekiana dos austríacos (Lachmann, Hayek, Kirzner e Hazlitt são autores que respeito e que, querendo ou não, me influenciaram através de uma perspectiva ao mesmo tempo positiva e negativa – no sentido que cheguei a conclusões pertinentes, boas e úteis graças as críticas e desafios impostos por eles ao socialismo, tal como diferentes ‘insights’ econômicos e políticos dado por eles numa espécie de processo maiêutico, mas os rejeito como conclusão em si), apesar de rejeitar absolutamente vários autores dessa escola, principalmente a ala austrolibertária, e a miseseana.

Mas a coisa não para por aí: em campo de filosofia, epistemologia (em todas as áreas), ciências sociais, eu sou um marxista analítico, a tradição analítica dentro do marxismo. Este é talvez o ponto mais peculiar dentro da minha descrição – já que eu me utilizo de filosofia analítica e seus métodos, ao contrário da maior parte esmagadora dos marxistas, o que me faz naturalmente próximo a corrente da filosofia analítica em si, e de nomes dela como Chomsky (do qual eu compartilho muitas convicções de esquerda), Patricia Churchland, Quine, Ludwig Wittgenstein, e graças até as maravilhosas ideias de nomes como John McDowell, Wilfrid Sellars entre outros; e é muito óbvio que também sou influenciado pelos próprios autores marxistas analíticos, como: Gerald Cohen, John Roemer (mais uma vez! Hehe), Jon Elster, Adam Przeworski, Erik Olin Wright, Philippe Van Parijs, Martin Hollis (<3).

Também sou um adepto de algo que está, inclusive, bem comum em discussão nos outros países – o aceleracionismo, a ideia de que tanto o sistema prevalecente capitalista, quanto certos processos socio-tecnológicos historicamente caracterizados devem ser ampliados, reaproveitados, ou acelerados, a fim de gerar uma mudança social significativa, o que também se complementa com uma outra grande paixão minha (que poderá ser melhor esplanada em um espaço para isso) – o transhumanismo.

Em campo político, a minha abordagem é o que pode ser chamado de algo próximo (embora não exatamente) do socialismo libertário, algo na linha de Rosa Luxemburgo (Luxemburguismo), mais especificamente, a corrente do comunismo de conselhos. Os comunistas de conselhos (por exemplo, alguns que me influenciam muito, Anton Pannekoek, Otto Rühlee e Herman Gorter) afirmam que o Estado não pode ser dirigido no sentido da livre associação porque ele só pode agir dentro das categorias da própria sociedade capitalista, levando no máximo a um capitalismo estatal (ou seja, um capitalismo em que a propriedade é somente do Estado, e não coletivizada de fato para o proletariado) que buscaria se manter indefinidamente, e nunca levaria à livre associação – o grande sonho de Marx. Os comunistas de conselhos afirmam que a livre associação só pode ser alcançada mediante a ação direta dos próprios proletários, que devem constituir conselhos operários (que funcionam sob democracia direta) para tomar os meios de produção e abolir o Estado numa revolução social (embora nesta finalidade, eu acredito que só será possível após um certo nível muito avançado de tecnologia, coisa que pode ser melhor explicada em um artigo outro dia – o que cabe colocar aqui, é que eu rejeito os, nas palavras de autores como Horvat, ‘modelos estatistas’ – a minha ideia de socialismo prevê um Estado extremamente limitado, e com funções baseadas na autogestão em uma modelagem, podendo até contar com sucessivas secessões de estados para isso, tal como a instituição do federalismo radical, tal modelo, mais uma vez, poderá ser explicado melhor em outro artigo). O que cabe ressaltar aqui é que eu sou profundamente arraigado com o que na esquerda é chamado de Autonomismo – e por um foco na autogestão cooperativa, sou influenciado pelos autores e economistas cooperativistas como Branko Horvat (<3), Edvard Kardelj, Jaroslav Vanek, Paul Robinson, Robinson Hahnel, Michael Albert, Pat Devine, David Schweickarte apesar deste ser um neomutualista, eu curto Kevin Carson.

Nesses últimos termos, o modelo socialista que defendo é algo próximo do que vimos nas experiências socialistas da Iugoslávia Titoísta (eu inclusive posso ser considerado um Titoísta, e considero essa experiência uma grande vitória, tanto no destaque do desenvolvimento econômico e humano alcançado, chegando a ser os mais altos do mundo por um tempo, quanto de ser um dos poucos países socialistas que alcançou um altíssimo nível de liberdades civis, algo menosprezado por vários críticos e mal-entendimentos, além de calúnias de outros comunistas sobre a experiência, sobretudo os leninistas), a da Hungria durante o Kadar (o ‘comunismo goulash’), e o breve período das reformas do ‘socialism with a human face’ de Alexander Dubček, na Tchecoslovaquia socialista, antes da fatídica invasão soviética da Primavera da Praga. Em outras palavras, um modelo baseado na descentralização estatal, autogestão com cooperativas, unidades autogestionarias, conselhos de trabalhadores, federalismo radical, liberdades civis, democracia direta, planejamento descentralizado, autonomismo, entre outras características (algo muito próximo do Marx de ‘Critica ao Progama de Gotha’, e que se distancia um tanto da fase anterior em O Manifesto do Partido Comunista, algo apontado pelo Włodzimierz Brus no final de sua vida).

Bem, este sou eu em uma relativa descrição. Nesse meu blog, eu pretendo discutir e debater temas concernentes a isso, para que vocês conheçam um pouco mais de como eu vejo o mundo, e entenderem um pouco mais dessa complexidade em específico

Sapere Aude!

quote-in-place-of-the-bourgeois-society-with-its-classes-and-class-antagonisms-shall-we-have-an-karl-marx-251013
‘No lugar da velha sociedade burguesa, com suas classes e seus antagonismos de classe, nos teremos uma livre-associação; em que o livre desenvolvimento de cada individual é a condição para o livre desenvolvimento de todos’ – Karl Marx
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